10 lugares incríveis de São Paulo que deixaram de existir

10 lugares incríveis de São Paulo que deixaram de existir

São Paulo é uma cidade em constante transformação, e é exatamente isso que faz com que ela seja o que é: uma megalópole. Mas, assim como tantas outras cidades do mundo, a cada novidade que aparece, algo antigo se perde.

Como forma de ajudar a manter parte da história viva, comecei a pesquisar algumas coisas que já aconteceram pela cidade, mas que com o tempo foram mudando tanto que já nem se reconhecem, ou até já não existem mais:

 

1- Edifício do Mappin

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press (2009)
Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press (2009)

Em frente ao Teatro Municipal, ao lado do Viaduto do Chá, está um prédio emblemático da cidade de São Paulo. Era onde ficava o “Mappin”, uma loja de departamento à frente de seu tempo, que antecipou o conceito de “Shopping Center” que hoje vemos a cada esquina da capital. O edifício era considerado um ponto de encontro da elite paulistana.

Em 1999, após a declaração de falência, o Grupo Pão de Açúcar ainda manteve o prédio em operação sob a bandeira “Extra Mappin”, mas ela foi descartada logo em seguida. No prédio, hoje, opera uma loja das Casas Bahia. Sobre a marca, em 2010 ela foi arrematada em um leilão, e atualmente pertence às Lojas Marabraz – que pretende voltar a utilizá-la em breve.

 

2- Avenida São João

Foto: Benedito Junqueira Duarte/ 1942. Acervo da Casa da Imagem.
Foto: Benedito Junqueira Duarte, acervo da Casa da Imagem. (1942)

Você não reconhece a imagem ao lado? Esta daí é a Praça Marechal Deodoro, que fica atualmente embaixo do Minhocão.

Enquanto muitos discutem se o elevado – obra do Maluf – deveria virar um parque suspenso ou demolido, a única coisa que me vem à cabeça é essa foto desta maravilhosa praça. Imagine este espaço com árvores novamente, ciclovias, espaços de convivência para todas as idades.

Difícil querer uma vida em cima do atual concreto, depois de imaginar tamanho potencial embaixo.

 

 

3- Edifício Gazeta/Palacete Espíndola

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Palacete Espíndola, onde fica o atual número 900 da Avenida Paulista

Daí você pensa: nossa, o prédio da Fundação Cásper Líbero é um marco da cidade. Aquelas escadarias, quantas histórias! De final de Campeonato de futebol exibida ao ar livre – usando as escadas como arquibancadas – até pequenos amores que começaram ali, entre diversos encontros e desencontros de casais.

Pois este mesmo endereço guardava um palacete: a residência de Horácio Espíndola, um industrial filantropo muito conhecido na década de 1890. Este era um dos muitos casarões da atual avenida, e um dos tantos que não resistiu ao tempo.

Neste endereço hoje transitam diariamente pelo menos 20 mil pessoas, e era claro que tal construção não seria capaz de comportar tanta gente. Mas que era bonita, ah… isso era!

 

4- Palacete Prates

Foto: Vista do Vale do Anhangabau e Palacete Prates nos anos 1920
Foto: Vista do Vale do Anhangabau e, ao centro, os palacetes gêmeos nos anos 1920.

Conde de Prates foi o dono de duas grandes construções que ficavam no Vale do Anhangabaú. Construídas em 1911, foram apelidadas de “palacetes gêmeos”. Os engenheiros responsáveis foram os mesmos que ergueram a Sala São Paulo, por exemplo.

O palacete que fica à esquerda na foto foi por muito tempo a Câmara Municipal de São Paulo e também a Prefeitura de São Paulo, que em 1951 mudou-se do edifício. Exatos 40 anos depois de ser erguido, o Palacete Prates (o mais próximo ao Viaduto do Chá) foi vendido e demolido, e se transformou no atual Edifício Conde de Prates – inaugurado em 1956.

O segundo palacete ainda sobreviveria alguns anos mais, sendo desapropriado e demolido em 1959. O espaço se transformou no Edifício Mercantil Finasa, que está ali até hoje. E assim caminha a matemática da cidade: menos dois casarões, mais dois prédios.

 

5- Rio Pinheiros

Rio Pinheiros na região do Morumbi (1933). Foto: Acervo FESSP
Rio Pinheiros na região do Morumbi (1933). Foto: Acervo FESSP

Sabem esse rio quase reto que corta a zona sul/oeste de São Paulo? Ela não era nem um pouco reto. E não apenas isso: algumas regiões, como onde fica atualmente a Av. Engenheiro Luis Carlos Berrini, eram verdadeiros pântanos, que inundavam por completo em épocas chuvosas.

Só essa pequena explicação já clareia muita coisa na nossa cabeça, né? As enchentes de hoje nada mais são do que a mistura perfeita entre a ação do homem nas margens do rio, associadas à real natureza da região. Para ver um mapa atual do Rio Pinheiros, mostrando onde ficava o leito original, clique aqui.

 

6- Edifício Wilson Mendes Caldeira / Edifício Santa Helena

Implosão do Edifício Mendes Caldeira (Novembro/1975).
Implosão do Edifício Mendes Caldeira (Novembro/1975). Na direita, a catedral da Sé.

Não são só casarões antigos que morrem em São Paulo, alguns arranha-céus também não resistiram às mudanças da cidade. É o caso, por exemplo, do Mendes Caldeira. Inaugurado em 1961, ele teve apenas 15 anos de vida e foi demolido no final de 1975.

O edifício ficava entre as Praças da Sé e Clóvis Bevilacqua, antes dois espaços distintos. O motivo é simples: as obras do metrô estavam atrasadas, e a implosão do prédio acelerou o processo ali na região.

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Capa do livro que conta a história do Palacete Santa Helena.

Vale lembrar também que a Praça da Sé já foi um grande estacionamento e, durante uma época, tinha um grande terminal de ônibus que – também por causa da obra do metrô – foi posteriormente realocado para o Parque Dom Pedro II.

Além dele, foi também demolido o Palacete Santa Helena. Sua fachada era repleta de esculturas e ornamentos e seu interior era extremamente luxuoso. O prédio abrigava, além de lojas no térreo e escritórios, um cineteatro que rivalizava em requinte com o Teatro Municipal.

 

7- Cine Oberdan

O Oberdan, em 1930. Em exibição: A Princesinha
Fachada do Cine Oberdan, em 1930.

Como um luxuoso cinema na região central de São Paulo morre? Quem pode nos responder isso é o Cine Oberdan. Inaugurado em 1927 pela Empresa Taddeo de Cinemas, o Oberdan era uma sala elegante, luxuosa e a mais moderna do Brás.

O “início do fim” começou por causa de uma criança sapeca. Um garoto queria ir ao banheiro e – cansado de esperar pelo lanterninha – colocou fogo em um pedaço de papel. Com medo de um incêndio (lembre-se que rolos de filmes são altamente inflamáveis), muitas pessoas saíram correndo e 32 pessoas morreram, sendo 31 crianças e 1 mulher – a maioria deles, por pisoteamento.

O incidente abalou o local, que permaneceu com as portas abertas por mais um tempo até encerrar, de vez, as operações. Após um período fechado, o imóvel foi adquirido pela loja Zelo, que mantém o imóvel intacto em sua arquitetura externa até os dias de hoje

 

8- Cine Rex / Teatro Zaccaro

Fotos cedidas por Juliana Kremer, neta de José Fernando Taddeo - um dos donos do Cine Rex.
Fotos cedidas por Juliana Kremer, neta de José Fernando Taddeo – um dos donos do Cine Rex.

Outro cinema de rua que deu “Tchau” para São Paulo foi o Cine Rex. Seu prédio fica na Bela Vista, na esquina da Rua Rui Barbosa com a Conselheiro Carrão. Com capacidade para até 1800 pessoas, era uma das salas mais populares da cidade, com sessões sempre cheias e disputadas.

Inaugurado em 1940, ele conseguiu manter as portas abertas até meados da década de 70, quando não resistiu a decadência e encerrou suas atividades. No início da década de 80 o Maestro Zaccaro adquiriu o antigo Cine Rex e o fez ressurgir com um dos mais importantes teatros de São Paulo naquela década, o Teatro Zaccaro. O programa da TV Bandeirantes, Perdidos na Noite, foi gravado nele por um bom tempo.

Mas o teatro também não resistiu. O prédio virou, depois, uma produtora e até uma casa de forró, mas nenhuma das empresas conseguiu se manter por ali. O prédio resiste ao tempo, mas encontra-se fechado completamente, com algumas portas emparedadas e outras fechadas com tapumes.

 

9- Playcenter

Vista do Playcenter, em contraponto com a Marginal do Rio Tietê.
Vista do Playcenter, em contraponto com a Marginal do Rio Tietê.

Inaugurado em 27 de julho de 1973, o Playcenter foi o primeiro grande parque de São Paulo. E por muito tempo, realmente foi. Quem não se maravilhava ao ver aquela enorme montanha russa, bem ao lado da Marginal do Rio Tietê?

Além do tradicional parque, o local já abrigou eventos como as “Noites do Terror”, o “Orca Show” e até uma edição do “Planeta Terra”, um evento musical brasileiro realizado pelo grupo Terra Networks.

O parque funcionou até 29 de Julho de 2012, quando infelizmente fechou as portas de vez. O setor de diversões, que já estava desacelerado, deu lugar à especulação imobiliária: hoje, no terreno, encontram-se duas torres residenciais, e em breve devem aparecer mais dois prédios comerciais e um colégio.

 

10- Mansão Matarazzo

A Mansão Matarazzo em 1977 / Foto: Laura Serpa
A Mansão Matarazzo (1977). Foto: Laura Serpa

Outra grande construção que já sumiu da paisagem paulistana é a Mansão Matarazzo, que ocupava o número 1230 da Avenida Paulista. Era um espaço de 12 mil m², com 4.400 m² de área construída.. Uma imponente residência que tinha ainda, nos fundos, uma piscina e uma sauna.

Construído em 1896, o imóvel foi alvo de muita briga entre a família e a Prefeitura de São Paulo e ficou por mais de 100 anos fechado. Ele foi tombado patrimônio histórico em 1989 a contra gosto da família, que decidiu implodir a mansão numa madrugada. Boa parte da estrutura aguentou as explosões mas a construção ficou, à partir daquele momento, comprometida.

Vista do Shopping Cidade São Paulo e seu jardim.
Vista do Shopping Cidade São Paulo e seu jardim.

A prefeita Luiza Erundina pretendia instalar no imóvel o Museu do Trabalhador, mas a família Matarazzo conseguiu, em 1994, reverter o tombamento. Dois anos depois disso, o casarão foi finalmente demolido e se transformou num estacionamento. Por algum tempo permaneceu assim, e até abrigou alguns eventos – como o “Mercado Mundo Mix”, em 2009.

Atualmente o espaço abriga o Shopping Cidade São Paulo, um complexo comercial imenso com lojas, teatro, cinema e área verde com mata atlântica e árvores nativas. Em cima do shopping ergue-se um imponente prédio, construído até o limite de altura permitido para a região, que leva o “carinhoso” nome de Torre Matarazzo.