A roupa da Dilma e o Pau de Selfie

A roupa da Dilma e o Pau de Selfie

Bom, esse texto começa relembrando o fato de que eu amo morar no centro de São Paulo. Embora muita gente tivesse medo ou achasse sujo e perigoso, eu sempre encarei a região com bons olhos: perto de tudo e segura, independente do que dizem.

No ultimo dia de 2014 eu saía tranquilamente de casa para trabalhar na São Silvestre, o que já se subentende ser bem cedo. E qual não foi minha surpresa ao ser abordado em uma tentativa de assalto, às 6h35 da manhã, ao lado da entrada do metrô República – a apenas alguns metros de distância de onde passaria a corrida no centro. Foi uma tentativa frustrada: ele estava bêbado e desarmado, e eu mal-humorado de sono.

Durante os primeiros dias do ano não fiz muita coisa. Cuidei da casa, fiz passeios pela cidade. Um dia, por volta das 21h, ao sair para ir até a padaria (que fica literalmente embaixo do meu prédio), me deparei com uma menina aos prantos dizendo para o dono de uma banca: “Ele levou tudo… celular, carteira… tudo. Não tenho nada!”. Assustei, pelo simples fato de ver aquilo acontecendo a menos de dois metros da minha casa.

Ontem, ao sair para trabalhar às 8h, bastou atravessar a rua para ver três policiais fazendo uma batida em algumas pessoas que estavam sentadas em um ponto de táxi. Pensei comigo: não se passaram nem cinco dias e eu já presenciei tudo isso. Justo eu, que nunca havia presenciado qualquer tipo de violência desde que me mudei para São Paulo, e que me orgulhava disso.

Será que as pessoas estão endividadas do Réveillon?
Será que é culpa dos presentes exagerados de Natal?
Será que as coisas estão fugindo do controle de vez?
Será que ninguém mais está vendo isso tudo?

Será que as pessoas não se cansam de pensar só em si mesmas?

Não sei… Por enquanto só vi as pessoas e grandes veículos de comunicação falando sobre a roupa da Dilma durante a posse e o transtorno mental causado pelos paus de selfie.

Feliz 2015.