Manifesto: “Nós Gays”

Manifesto: “Nós Gays”

“Nós gays.
Nós fazemos vocês ficarem mais bonitos.
Nós vestimos vocês para ocasiões importantes.
Nós melhoramos seus bairros até que não tenhamos mais dinheiro para viver neles.
Nós planejamos e participamos de seus casamentos, mesmo quando você aceita votos para uma entidade que nos odeia.
Nós estamos envolvidos em todos os filmes que você assiste.
Nós estamos envolvidos em todos os seriados de TV que você assiste.
Nós estamos envolvidos em todas as músicas que você ouve – inclusive as homofóbicas.
Nós ensinamos suas crianças sem precisarmos dizer a vocês que fomos nós.
Nós protegemos nossas comunidades sem precisarmos dizer a vocês que fomos nós.
Nós ajudamos a cuidar da sua saúde sem precisarmos dizer a vocês que fomos nós.
Nós limpamos suas calhas, pintamos suas casas e cortamos sua grama sem precisarmos dizer a vocês que fomos nós.
Nós arrumamos os canos da sua casa sem precisarmos dizer a vocês que fomos nós, embora você nos informe qual banheiro podemos usar.
Nós governamos seus cidadãos – algumas vezes de maneira aberta, alguma apenas até que sejamos envolvidos em algum escândalo após anos cuspindo retóricas homofóbicas.
Nós estamos em cada um dos esportes pelo qual você torce, mas somos hesitantes em dizer que estamos lá porque não queremos que nos joguem merda em campo.
Nós estamos presentes em cada brecha da sua vida – mesmo na daqueles que nos desejam a morte.
Nós lutamos e morremos em suas guerras sem que você saiba quem somos – e até pouco tempo atrás, nós realmente nem poderíamos dizer.
Nós acabamos com a restrição ao casamento, que antes era só entre homens e mulheres.
Nós ganhamos o direito de casar, que já nos era garantido, mas nós só precisamos lutar mais que você por isso.
E agora, embora a gente não tenha muito para oferecer, nós com certeza seremos os responsáveis por corrigir essas abomináveis leis de porte de arma.
Assista, e admire.
Porque é isso que a gente faz.
Nós arrumamos as suas bagunças.
Sem a garantia de segurança e respeito em troca.
Você imagina fazer TODO esse trabalho sem ter um mínimo de DECÊNCIA como prêmio?
Então não me diga que eu tenho que olhar para o massacre em Orlando como um ataque à América ao invés de um ataque à comunidade LGBT.
Porque nós não somos “Americanos” quando você nos chamam de bichinha, não somos “Americanos” quando você nos demite, não somos “Americanos” quando você mata pessoas trans, não somos “Americanos” quando você nos nega direitos de adoção, não somos “Americanos” quando você fala atrocidades para nós quando estamos apenas de mãos dadas na rua (e sim, nós ouvimos você), não somos “Americanos” quando você nos nega licenças matrimoniais ou apenas um bolo de casamento com nossos nomes escritos nele.
Em todas estas circunstâncias somos apenas gays, e ser Americano não importa.
Então, com respeito a todos que lutaram e morreram antes de mim, eu tomarei alguns dias para lamentar como um homem gay antes de me lamentar como americano.
E, depois disso, você pode continuar a me falar que eu devo declarar guerra contra pessoas que eu nem conheço, embora eu esteja em guerra com meu próprios compatriotas minha porra de vida inteira.
Estejam felizes em estar em guerra contra a ISIS.
Porque vocês perderiam em uma guerra contra nós.
Ah, e “de nada” antecipado pelo lance das armas. Como sempre.”

– Dominick Pupa

Dominick Pupa, um brilhante e inteligentíssimo produtor de TV, escreveu este post na segunda (13 de junho) em seu perfil no Facebook e, depois de milhares de compartilhamentos e de curtidas, seu conteúdo foi removido da rede social por “violar” alguma norma ou termo de uso. Mas a maravilhosa drag Bianca Del Rio copiou o texto e o republicou em sua página. Eu, por minha vez, tomei a liberdade de adaptá-lo para o português.

Algumas vezes precisamos de pessoas influentes endossando conteúdos para que eles não sejam brutalmente excluídos por enxurradas de pessoas que tentam nos calar. E que bom que nós, gays, temos pessoas influentes em TODOS os lugares possíveis, como você pode conferir no texto traduzido aí de cima.

Gays, lésbicas, bissexuais, trans, travestis… Tenham orgulho de serem quem vocês são.
Somos a “minoria sexual”, mas o mundo não seria nada sem o nosso tempero.