Onde nasce o preconceito brasileiro?

Hoje o Facebook foi atolado de compartilhamentos de diversas pessoas indignadas com o caso de um rapaz que foi agredido por fazer absolutamente nada – exceto ser gay. Em depoimento na delegacia, o agressor ironiza e fala que o rapaz “apanhou de besta, porque se tivesse seguido o caminho dele, não teria apanhado”.

Os agressores em questão são empresários, viajados, estudados. Um deles inclusive é filho de uma advogada. E daí você pára e pensa: onde foi que esse rapaz aprendeu a ter esta concepção de mundo? E a resposta, infelizmente, é: NA VIDA.

Por que é importante ter um beijo gay numa novela das 9h na Globo? Por que precisamos fazer uma passeata todo ano nas principais vias das maiores cidades do Brasil? Por que precisamos dar as mãos na rua? 

A resposta é simples: porque somos humanos. Porque devíamos poder. Não, o beijo gay não vai incentivar o seu filho a ser gay também. Mas pode ser que, se ele for realmente gay, ele seja honesto com os pais e saia do armário. E os pais, no mundo ideal, vão entender que seu filho é diferente, mas é normal. E vão apoiar. Porque é normal. É tão normal que passa na TV e ninguém faz alarde… Assim como quando passam pessoas assassinadas, sabe?

Só para se ter uma ideia de como a cabeça brasileira anda atrasada, até mesmo nos gibis é possível encontrarmos traduções que transformam uma frase qualquer em uma mensagem de ódio.

quadrinhos
Esq. No original, o personagem Juggernaut diz a Gambit
que seu nome é tão idiota quanto seu sotaque.
Dir. Em Tex, o quadrinho que falava apenas “Saia do caminho”
ganhou uma tradução bastante racista.

PRECISAVA?

Se caminhar ouvindo música não é uma demonstração clara do quão normal é ser gay, então estou ficando sem idéias de como mostrar para a sociedade que eu não sou um  monstro só porque me sinto feliz ao lado de uma pessoa do mesmo sexo que eu.