Precisamos falar sobre “HETEROFOBIA”

Precisamos falar sobre “HETEROFOBIA”

Hoje vamos falar sobre “heterofobia” mas, para isso, precisamos voltar um pouquinho no tempo, antes do nascimento de Cristo. Vamos para a antiguidade clássica, quando o sexo era tratado de um jeito diferente.

Naquela época homens podiam transar com todas as variantes sexuais: outros homens, mulheres, eunucos, etc. Nem a pedofilia era crime: inclusive, ser iniciado por uma pessoa mais velha e experiente era quase um sinal de respeito (vejam a biografia de Platão, por exemplo). As mulheres, enquanto isso, eram escravas das vontades dos homens, sofriam e tinham seus desejos reprimidos na sociedade.

Agora vamos imaginar que Cristo nasceu, cresceu, juntou os apóstolos e reescreveu nossa forma de ver o mundo. Mas imagine que ele delimitou que o sexo deveria ser – na verdade – entre dois homens, e que o papel das mulheres seria apenas de reprodução e serviço aos seus homens.

Anos e anos se passaram desde então, e as mulheres resolveram lutar por seu direito de serem livres. Ao mesmo tempo, homens que não gostam de transar com homens lutam pelo direito de fazerem sexo apenas com as mulheres, pois não sentem atração por outros homens. Eles querem poder constituir família, cuidar um do outro, e amar da mesma forma que outros tantos podem.

Mas esses caras são escorraçados por governantes conservadores, que levam o livro sobre a vida de Cristo como verdade absoluta, e querem proibir tudo isso. A obra, que tem quase 2.000 anos de idade e se perdeu em traduções, ressignificações de palavras e na livre interpretação pessoal, é utilizada como baliza do que é certo ou errado até os dias atuais. E aqui não estão apenas governantes homens não: existem mulheres que concordam com eles, e não percebem que também sempre foram escravas do livro que as inferioriza.

O tal grupo ‘heterossexual’ é, então, desrespeitado quando demonstra afeto em público, desmerecido em ambiente corporativo, tem direitos civis revogados (ou inexistentes), e por vezes vira até alvo de chacota nas novelas. Isso sem falar das vezes que são agredidos na rua pelo simples fato de amarem pessoas do sexo oposto e terem um jeito ‘meio heterozinho’ demais ao andar ou falar.

O nome disso é HETEROFOBIA.
Pronto, discutam.