A morte do Rock e a ascensão do Funk no Brasil #FazSentido

rock_sertanejo

Verás que um filho teu não foge à luta?

É meus queridos, o Brasil é um lugar bem contraditório. Quando o gigante acordou e abriu seus olhinhos viu muita coisa errada, resolveu brigar. Brigou. Mas depois, voltou para a programação normal: acordar tarde, tirar vantagem, pagar de malandro, ostentar um padrão de vida acima do que realmente pode e, principalmente, mexer a bundinha.

Aliás, brasileiro gosta tanto de bunda que se acostumou a levar nela. Diariamente.

A morte do Rock nas paradas brasileiras, como mostrado por um levantamento da empresa Crowley, mostrou que este ano nenhuma música do gênero entrou para o Top 40 nas rádios brasileiras. Não é novidade, e não é uma notícia de outro mundo.

Afinal:

  • Quantas rádios rock existem?
  • Quantas pessoas ouvem rock?
  • Quantas bandas de rock apareceram na mídia este ano?

Difícil de responder né? Isso porque o Rock, conhecido desde os anos 50 como um estilo libertário e revolucionário, não tem nada a ver com o nosso momento histórico (ou tem? :P). Nosso dia a dia é cheio de vodka ou água de côco, todo mundo é poderoso, é piradinha. Nossa música, nossos hinos, nosso grito de guerra tem hoje 3 notas e um refrão bem simples e repetitivo, capaz de ser entendido por qualquer brasileiro.

Porque na real o brasileiro é isso: burro. Incapaz de compreender algo tão barulhento e confuso como o rock.

E antes que achem que eu estou falando de Slipknot, prefiro usar alguns exemplos claros e bem nacionais. Entre “Auto-Reverse” da banda O Rappa e “Show das Poderosas” da Anitta, qual é a música que melhor representa o Brasil de 2013? Fala a verdade, você nem conhecia a do Rappa, né? Isso porque era o Falcão (e da Fiat) o #VemPraRua. Triste.

Podem falar que é a qualidade das bandas, podem falar que é o espaço das gravadoras, podem falar o que for: a verdade, nua e crua, é que o mercado fonográfico se move de acordo com o povo. Ninguém está te fazendo engolir o Luan, a Paula e o Naldo – as pessoas é que estão consumindo o que eles produzem.

Aqui não é um ringue onde um tem que vencer, nem muito menos uma briga onde você deve escolher que lado optar. A música sertaneja e o funk têm sim suas qualidades e merecem seu espaço. São ritmos gostosos de dançar, brasileiros, e possuem grandes vozes. Mas convenhamos: não é a única coisa boa que o Brasil sabe fazer.

Para salvar o Rock no Brasil, precisamos olhar para nós mesmos e responder honestamente: quando foi a última vez que eu escolhi algo por gostar, que eu busquei por algo diferente do que me era oferecido “de bandeja” pela mídia, ou que eu procurei uma música que fazia sentido para o mundo – e não apenas para mim.

As expressões artísticas mais diversas precisam de pessoas para viver.

Então vivam.