Crushs musicais num mundo de uma nota só

Crushs musicais num mundo de uma nota só

Meu primeiro crush musical (do qual eu me recordo) foi a Sheryl Crow. Eu adorava a música “All I Wanna Do“, e comprei o meu primeiro CD só por causa dela: Grammy Nominees 1995. Um pouco depois, já em 1997, eu fiquei obcecado pelo CD da Alanis Morissette, “Jagged Little Pill“. Ouvia da primeira faixa até a última, aquela que ficava escondida no final da 12ª faixa.

Coladinho na Alanis, ainda na década de 90, vieram os Backstreet Boys, o NSync, as Spice Girls e as All Saints. Isso sem entrar nos detalhes específicos de Five, 98degrees, Hanson, entre outros. Ali, naquele momento, eu descobria um novo ritmo musical que me acompanharia por muito tempo. O rock sempre teria seu espaço no meu coração, mas eu era – no fundo – um fã de pop.

No início dos anos 2000 eu tive uma entressafra de MPB no meio de tanta boy e girl band. Me tornei aficionado pela Adriana Calcanhotto e pela Bebel Gilberto. Também comecei a curtir algumas coisas feitas pelo Roberto Carlos e pela Paula Lima.

Nessa mesma época eu comecei a gostar de drum n’bass e músicas eletrônicas – em especial as brasileiras. DJ Marky e DJ Patife eram os meus preferidos. Afinal, tinha coisa mais legal do que “Calhambeque” do Robertão misturado com puts puts?

Nos últimos tempos tenho redescobrido clássicos e grandes vozes que são completamente fora do meu tempo: Nina Simone, Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Carmen McRae, Ray Charles, Tony Bennett… Isso sem entrar muito no detalhe.

SAMBA DE UMA NOTA SÓ

Fiz essa viagem com vocês pelos estilos, artistas e músicas da minha vida para mostrar o quanto somos capazes de mudar nossa percepção sobre o mundo, sobre as coisas, sobre os nossos gostos. A música, inclusive, tem um papel importantíssimo nisso. Ela se transforma na trilha sonora da nossa história, acende emoções, conforta o coração quando ele precisa.

Em meio a tantas discussões nas redes sociais, tanto bipartidarismo das coisas, me sinto um verdadeiro peixe fora d’água. Quero me afastar de tudo, colocar fones de ouvido, fechar meus olhos, e esperar passar. Mas toda vez que abro os olhos e tiro os fones, parece que a coisa desandou mais um pouco. É triste.

Uma das coisas mais lindas que o ser humano tem, a de ter gostos “fluidos” ao longo de sua vida.
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.