Bicha, Preto, Mulher, Gordo, Velho… e o homem branco.

Bicha, Preto, Mulher, Gordo, Velho… e o homem branco.

– “Que bichice”
– “Isso é coisa de preto”
– “Tinha que ser mulher”
– “Só podia ser gordo”
– “Velho é foda”

Alguns exemplos simples, só para dar o tom. O texto não vai “cagar” nenhuma regra, nem avaliar a conduta das pessoas, nem o preconceito implícito no nosso dia a dia. Não, hoje o texto é light, macho, branco, jovem e normal.

E já aviso: não vou falar homossexual, nem obeso, nem idoso, nem afrodescendente. Vou falar como eles são chamados nas ruas, não nas cartilhas educativas. É ruim, mas talvez deixe o texto mais claro para quem insiste em usar o preconceito como retórica.

ENTÃO VAMOS LÁ…

De acordo com o último levantamento do Censo do IBGE em 2010, somos pouco mais de 190 milhões de brasileiros. Destes, cerca de 90 milhões se consideram brancos (47,5% do total). Destes habitantes brancos, cerca de 40,3 milhões são homens. Portanto o homens brancos são algo em torno de 22,7% do total da população.

Vamos trabalhar com este número: esse é o volume da população geral do Brasil considerada como “elite”, que outras pessoas dizem não sofrer nenhum tipo de preconceito. Mas espera aí: aqui eu ainda estou contabilizando aqui os “homens brancos” que são gays, gordos e velhos.

Esses caras não fazem parte da tal elite. Os gays ainda lutam por igualdades e pela criminalização da homofobia. Os gordos lutam contra os esteriótipos e contra o preconceito no mercado de trabalho. Os velhos, os piores nesse cenário, lutam para continuarem vivos numa sociedade que, além de não respeitá-los, os deixa sem o devido suporte hospitalar, habitacional e financeiro.

E as mulheres? Bem, elas podem ser de qualquer cor e classe social: ainda ganham menos que os homens no mercado de trabalho, sofrem com assédio e com assuntos que só dizem respeito a elas, mas que as pessoas insistem em decidir… como a legalização do aborto.

Excluindo todas as mulheres e estas variações de “homem-macho-alfa branco”, com certeza a porcentagem não chega a 20%. Então eu posso, matematicamente falando, afirmar que mais de 4/5 da população brasileira sofre algum tipo de preconceito, é vitima de bullying, de desrespeito ou de negligência. Sim: mais de 80% da população brasileira integra uma minoria.

Fica aqui, então, o meu pensamento:

Tá na hora de parar de buscar os direitos da minoria
e começar a buscar os direitos de cidadão brasileiro,
NÃO É MESMO?