Food Tuck e a gourmetização paulistana

Food Tuck e a gourmetização paulistana

Tudo começou com o cupcake. Daí veio o brigadeiro. Depois apareceu a pipoca! E quando a gente achava que já tinha muita coisa gourmet, veio mais… e tudo de uma vez: o Food Truck, um nome fofo para os veículos que servem comida na rua.

Hoje estava pensando numa tia que servia dogão aqui na esquina da Avenida Paulista com a Alameda Campinas na minha época de faculdade. Fiquei imaginando porque ela não estava mais pelas redondezas, e se ela teria migrado para um Food Truck. Lembrei em seguida da primeira vez que entrei em contato com um Food Truck, na Praça Benedito Calixto, num espaço privado. Lá encontrei varias opções, estacionadas uma ao lado da outra. Na época não me caiu a ficha que me motivou a escrever este post. Agora caiu.

Food Truck TransparentePor curiosidade fui dar uma olhada na aprovação da lei que liberava as comidas de rua e descobri o porque dos “caminhõezinhos de comida” estarem todos juntos em um estacionamento: eles não podem circular. Não antes da aprovação do regimento desta atividade e dos Termos de Permissão de Uso (TPU), que precisam ser fornecidos aos chefs. Até lá, o jeitinho brasileiro é estacionar fora da rua.

Bom, voltando à minha primeira experiência: ao entrar no espaço dos Food Trucks me deliciei com diversos quitutes. Não vou dizer que foi muito caro, não vou dizer que as porções eram pequenas, não vou dizer que tinha tanta gente que não dava nem pra comer em paz. Não vou dizer nada disso, porque é um Food Truck e não um restaurante.

Mas este é o ponto: os tais quitutes dos Food Trucks são comidinhas gourmet, atualmente estacionadas em pequenos espaços privados, o que os transforma em uma praça de alimentação como a de qualquer shopping. Eles nem precisariam das rodas, porque não podem usá-las. Conseguem ver onde estou chegando né? Eu peço mil desculpas para quem ama, mas o conceito atual de Food Truck não me desce mais a goela.

Como o jeito foi estacionar, as chances de vermos tais comidinhas circulando a cidade estão diminuindo cada vez mais. Isso porque até mesmo os chefs se acostumaram com os locais, a clientela e o formato adaptado. E o povo paulistano, acostumado com apertos, vai pagar por isso. E eu não tô falando no mal sentido não! Literalmente: ninguém tá achando ruim e vai continuar indo a locais pequenos para comer em pé um ceviche em prato de plástico e pagar 20 reais pela experiência.

Infelizmente o Food Truck não passa de uma praça de alimentação de shopping cafona feita de “tias do dog gourmet”.

Eu tenho pena do paulistano, um povo trabalhador que se deixa gourmetizar por tão pouco.