Juventude Perdida

Juventude Perdida

A menina vê um rapaz fazendo posições de Yoga através do vidro. Acha engraçado, grava um vídeo, compartilha com os amigos. Vira piada. Esta mesma menina está sentada no metrô e percebe que um rapaz está tirando fotos de seus seios. Fica indignada.

Para quem está na frente das câmeras, o sentimento é o mesmo: o de se sentir exposto contra sua vontade. Mas a menina teima que são duas coisas distintas, porque ela está acostumada a olhar apenas como ela se sente em relação às coisas.

Nossa juventude está perdida.

Ela se perdeu lá no final dos anos 90 quando ouviu a primeira música do “É o Tchan!” e desceu na boquinha da garrafa ao invés de ficar indignada com a mensagem sexista, misógina e de duplo sentido. Hoje não sabe se luta contra isso ou se entra no ritmo, então resolve fazer dancinha na manifestação.

Ela se perdeu quando a internet virou um lugar tão grande que seu objetivo de vida passou a ser a de buscar atenção, e seus limites começaram e ser retorcidos pela necessidade de audiência. Ela diz que se informa antes de opinar sobre um assunto, mas tem preguiça de ler.

Ela acha o cúmulo pagar por um filme, livro ou música, e acha ruim quando descobre que seu salário não condiz com o seu esforço.  Não entende que o produtor daquele conteúdo que ela tanto ama também deve pensar a mesma coisa.

Ela se acha incrível, mas não passa de uma juventude transviada – e isso é tããão anos 50.

Os jovens de hoje vivem em constante luta consigo mesmos: querem respeito, mas não respeitam. Querem seu espaço no mundo, mas não fazem por merecer. Acham graça, mas só quando é com o outro.

O que é preciso fazer para mudar tudo isso? Simples: olhar direito para as coisas. Antes de falar, antes de tomar alguma atitude e, principalmente, antes de pisar nas coisas e nos outros.

Afinal, ‘ter respeito’ é bonito em qualquer idade.