O egoísmo moderno e as relações líquidas

O egoísmo moderno e as relações líquidas

Entrei em contato com uma obra do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, chamada “Amor Líquido”, na qual ele demonstra que vivemos “tempos líquidos”, em que nada é feito para durar ou se solidificar, e escorre pelas nossas mãos a todo instante.

Nas palavras do autor:

“Para ser feliz há dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis […] um é segurança e o outro é liberdade, você não consegue ser feliz e ter uma vida digna na ausência de um deles. Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é um completo caos. Você precisa dos dois. […] Cada vez que você tem mais segurança você entrega um pouco da sua liberdade. Cada vez que você tem mais liberdade você entrega parte da segurança. Então, você ganha algo e você perde algo”.

Bom, confesso que acho difícil me relacionar no mundo moderno.

Começo pelo fato das pessoas se esconderem no conforto das redes sociais, onde elas não precisam ter nenhum tipo de comprometimento com o outro. Ali elas podem ignorar pessoas, apagar pensamentos, ter uma vida notada diferente da vida vivida. Praticamente não existe relação com a realidade.

Por conta dos avanços tecnológicos, aprendemos nos últimos anos a nos distanciar das pessoas estando ao seu lado, e é muito difícil reverter isso. Especialmente porque a maior parte das pessoas parece não perceber o erro e, assim como um pedaço de pizza quando se tem fome, é muito difícil resistir aos encantos egocêntricos que o mundo moderno nos proporciona.

Quando aconteceu a criação dos fones de ouvido, acharam que a ideia não iria dar certo. Afinal, ouvir música com os amigos era muito mais divertido do que sozinho. Mas as pessoas compraram a ideia de poder ouvir o que quisessem, sem interferências. Seguindo o mesmo conceito, hoje fico incomodado com a quantidade de esbarrões que levo na rua, causados por pessoas focadas em seus smartphones. Eles gravam com o celular um show que eles pagaram para assistir ao vivo. Tiram fotos em praias, monumentos e restaurantes ao invés de nadar, apreciar e comer. É frustrante.

Não criamos laços fortes com pessoas, nem raízes com lugares. Nos orgulhamos de sermos independentes quando, no fundo, nos sentimos carentes de atenção o tempo todo. Falamos pouco sobre os defeitos pois eles não são atrativos. Escrevemos pouco pois o imediatismo das pessoas corrói bons pensamentos com sua leitura dinâmica.

As relações, por fim, parecem mais do que descartáveis: se tornaram líquidas.