O Papa, o Pepe e a Pipa

O Papa, o Pepe e a Pipa

O Papa é Pop, não há dúvida: desde que chegou ao Brasil, Chicão virou o assunto preferido das Tevês. Mas para falar sobre o tema eu gostaria de trazer uma perspectiva diferente e voltar aos tempos de Dom Pedro I, Imperador do Brasil em 1.800 e tralalá, que hoje apelidaremos carinhosamente de Pepe.

Pepe ficou conhecido como “O Libertário” nos livros de história. Ele foi o responsável tanto pelo grito de Independência do Brasil quanto pela nossa primeira Constituição brasileira. Para alguns historiadores, ele era impulsivo, romântico demais, autoritário, ambicioso, generoso, grosseiro e sedutor. Era sobretudo impulsivo, mas tinha bondade em suas ações.

Traçando um paralelo, podemos dizer que o Papa Chicão e Pepe I possuem uma paixão em comum: a quebra de protocolos. Ambos se utilizam de atitudes contraditórias aos seus títulos e hierarquia para se aproximar do povo e dar a eles algo novo, do qual querem fazer parte no futuro.

A bondade de ambos não é algo sem fundamento: Pepe não gritou pela Independência à toa, o povo faria isso com ou sem ele. Mas à partir do momento em que deu este passo ele ganhou importância tanto para aquele fato quanto para as decisões sobre o futuro do país, como por exemplo a convocação da Constituinte de 1823.

O Papa busca o mesmo que Pepe: ao se posicionar como um de nós, ele deixa claro que a Igreja já enxergou a sua queda de popularidade e busca a extinção daquela postura de religião “inatingível”. Afinal, quem perpetua um dogma são seus fiéis, e não o seu livro sagrado. Vir ao Brasil faz total sentido: o país é conhecido por ser o maior país católico do mundo, mas está passando por transformações profundas: desde a mudança da religião predominante até mesmo da forma de se fazer política.

Para quem achava que éramos apenas uma pipa colorida solta no mundo, ficou a lição: aqui o carnaval tem um sabor especial porque ele celebra quem somos, mas não define quem queremos ser. Muito mais do que um povo divertido, podemos hoje dizer que somos responsáveis por algo que pode mudar a maneira como se faz política no mundo.

Na era do Orkut já se falava muito sobre a potência que o “social” tinha no país, mas ninguém esperava que isso mudaria a maneira de ser do brasileiro. Alguns falam que sairá do Brasil a base para o Capitalismo 2.0, uma releitura do que temos hoje como formato econômico e político. Isso porque qualquer sistema social, seja político ou econômico, é um acordo social. E de social nós entendemos.

O Pepe um dia enxergou a força do Brasil, e resolveu fazer parte.

O Papa enxerga a potência do Brasil, e quer fazer parte.

E você: quem vai aceitar na sua rede social de transformações?