O vazio que está em tudo

O vazio que está em tudo

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Vazio.

 

Aquele sentimento estranho de não pertencer, nem a nada nem a ninguém. Sensação de ter dentro do peito um enorme salão após uma grande festa, cheio de restos. De repente aparece uma forte luz, que mostra todos os defeitos que não conseguíamos perceber enquanto ela apenas piscava. Uma iluminação que, ao invés de nos clarear, nos transforma em sombras.

Por vezes penso no egoísmo que é sofrer quando se tem tudo, ou quase tudo. Afinal, seria o ‘amor’ o lado ganancioso daqueles que estão materialmente felizes?

Eu não deveria ser feliz? Ando, enxergo, amo, sorrio, trabalho, durmo.
Talvez o problema não seja viver, e sim sobreviver.

Sobreviver não é viver.
Sobreviver é acordar e dormir, sem fazer diferença no mundo.
É ser um objeto que gira em torno de uma gravidade que não é sua.
É fazer o esperado dentro de uma rotina.

Você precisa sobreviver para viver, mas o inverso não é verdadeiro.

Talvez seja uma fase.
Talvez seja uma inquietação.
Talvez seja eu. Ou o mundo.

Talvez seja a futilidade das pessoas em buscar a fama ao invés da felicidade.
Talvez seja a voracidade dos comentários maldosos na internet.
Talvez seja a solidão que é ter mil amigos no Facebook.

Não sei.
Só sei que o mundo perdeu a graça.
Porque as pessoas perderam a graça.

E quando as pessoas e o mundo perdem a graça, nos resta apenas sobreviver.
Sobreviver aos nossos vazios.