Passarinho que come pedra sabe o cu que tem

Passarinho que come pedra sabe o cu que tem

Sou um desses caras que não aparenta, mas tem gostos clássicos. Sou caseiro, gosto de acordar cedo e de fazer feira. E uma coisa que eu adoro são ditados e provérbios.

Tem um que sempre me chamou a atenção, talvez por seu tom de ironia e palavreado sujo: “Passarinho que come pedra sabe o cu que tem“. Sempre me peguei pensando no final implícito – a dor que deve ser cagar uma pedra – mas se você parar pra pensar, isso não faz o menor sentido.

Veja: tenho 30 anos e trabalho há 15 com internet. Você faz as contas e pensa “Ah, impossível ele já trabalhar com 15! Nem tinha internet direito…!”. E você tem razão.

A verdade é que aos 15 anos eu ganhei meu primeiro computador, junto com um CD de 30 dias de internet discada grátis do UOL. Só que ao invés de ficar no bate-papo do mIRC, baixar MP3 no Napster ou ficar jogando tempo fora em buscas no Altavista, eu passava boa parte do meu dia aprendendo a programar HTML. Isso porque eu era VI-CI-A-DO em Dawson’s Creek e fazia parte de um fã-clube na época (o WeLoveDC). E assim que ganhei meu primeiro PC não tive dúvidas de que queria montar um site para a galera.

Agora, 15 anos depois, eu ainda trabalho com internet. Já passei por empresas multinacionais de tecnologia, as maiores agências de relações públicas e publicidade de mundo. Nunca parei de estudar, pesquisar, criar e testar formatos. Meu fã-clube de Dawson’s Creek infelizmente não está no meu CV, mas ele está em cada coisa que eu fiz desde então. Não é um trabalho, mas é uma experiência inicial importante.

Quando eu resolvi largar a área de marketing (onde a internet era um recurso secundário) e passei a trabalhar com Social Media, me vi num mundo que eu jamais imaginaria existir. Poucas pessoas podem se dar ao luxo de trabalhar com o que gostam, e ainda serem bem remuneradas para isso – e eu sou uma delas.

No ano retrasado passaram-se mais de 23 milhões de reais pela minha mão em campanhas publicitárias em apenas um mês – isso é mais do que muita empresa consegue fazer de lucro em um ano, por exemplo. E eu resolvi mudar de emprego para poder auxiliar a estruturar de uma área de internet num lugar que mora no meu coração.

Veja bem: eu não saí de um emprego incrível para um emprego ruim. Eu saí porque eu via no próximo desafio algo que seria ainda mais incrível do que lidar com cifras impressionantes. E  por mais que fosse um desafio, eu sabia que poderia dar conta disso.

Pedra GiganteA história do passarinho é engraçada, porque na verdade é o tamanho da pedra que faz toda a diferença no ditado. Não é nem o fato do pássaro estar no diminutivo, nem o fato do cu já estar acostumado com rochas. O passarinho que come pedra sabe o cu que tem porque sabe qual é o tamanho máximo da pedra que ele aguenta, para que não se foda no final.

Esse post serve, na verdade, para ilustrar uma declaração: a de que eu como pedras enormes e não tenho medo disso. E se algum dia alguém te taxar de passarinho (assim mesmo, no diminutivo), entenda que pouco importa a tal opinião depreciativa: o autoconhecimento sobre o tamanho do seu cu, e o tamanho das pedras que você consegue comer, é o que vai ditar o rumo da sua carreira.