Por que eu acredito em Deus, mas não na religião?

Por que eu acredito em Deus, mas não na religião?

Eu me considero agnóstico, que significa “acreditar em Deus, mas não ter uma religião”. Para mim a religião é um negócio estranho, e hoje eu vou compartilhar a minha visão pessoal sobre o tema.

A fé normalmente possui as respostas que a gente não encontra. Tentamos entender o universo, nossa criação, os planetas, a química e a física por trás de cada traço do que conhecemos, e por mais que a gente consiga chegar em fórmulas, sempre restam dúvidas de como aquilo foi realmente feito. Ok, a água é criada por duas moléculas de Hidrogênio e uma de Oxigênio.

– Mas como o Hidrogênio e o Oxigênio surgiram? Como nasceram os átomos dessas moléculas?

Tudo que a gente não entende relaciona-se com a fé. Temos que acreditar que aquilo surgiu com algum propósito, pelo menor que ele seja, e que alguma coisa deu o estopim. A teoria do Big Bang é um caminho.

– Mas o que ocasionou essa expansão do universo, e o que existia antes dela?

Será que a nossa noção de tempo e espaço faz sentido, ou será que nós as criamos para podermos nos orientar? Sem poder de escolha, entendemos que o dia é bom para trabalhar, e a noite é boa para dormir. Nosso corpo provavelmente evoluiu ao ponto de criar em nossos organismos tais necessidades de movimento e inércia, fruto da nossa relação com o sol e a natureza.

O mesmo acontece com tudo que nos cerca. E o que a gente não entende, que é imensurável para o nosso entendimento, a gente coloca na fé. Se o mundo é bom e se existe felicidade, queremos agradecer alguém que seja responsável por isso. Mas a gente tenta encontrar o responsável por essas coisas, e simplesmente não consegue.

Essa entidade, que teve o poder de começar tudo isso, nos foi apelidada carinhosamente de Deus. Ela tem vários nomes ao redor do mundo e do tempo, mas todos colocam nela a responsabilidade por coisas que não sabemos explicar. Poderíamos ser felizes em nossas vidas, e agradecer esta entidade pelas coisas boas que nos acontecem, mas o ser humano é muito possessivo: queremos ser donos dela, entender o obscuro, nos intitulamos seus filhos diretos e detentores de suas posses terrenas. Para isso, criamos as religiões.

A religião conta histórias de um tempo-espaço humano, escrita por humanos, e só isso já bastaria como argumento para derrubar sua capacidade de ser verdadeira. Nós, humanos, não encontramos ainda a capacidade de entender o universo. Os livros religiosos nos ensinam dogmas e posturas sociais como forma de padronização de sociedade, não com o objetivo de nos fazer encontrar nossa própria fé.

Zumbie

O pior de tudo, na minha opinião, é que já encontramos muitas respostas sobre nós mesmos desde suas escritas, mas ainda somos cobrados a viver atrasados em relação a nós mesmos pois tais livros são entendidos como verdades absolutas, e não como retratos de seu tempo.

Por essas e outras que eu, Marcio, acredito em Deus, mas não tenho religião.
E eu adoraria ter a minha ‘religião’ respeitada.