Sobre dizer “não” e fazer a vida andar

Sobre dizer “não” e fazer a vida andar

Eu sempre me considerei uma pessoa maleável e, mesmo tendo a fama de não ser muito paciente, tento manter uma via de mão dupla para conversas até onde eu posso. Além disso, abro mão facilmente dos meus pontos de vista – especialmente os mais antigos – por entender que o mundo gira, as coisas mudam, e as pessoas também. Eu, principalmente.

Mas, de uns tempos para cá, minha postura tem mudado um pouco: aprendi a falar “não”. Parece bobo, mas negar algo é uma arte a ser aprimorada: dependendo da forma e do tom você usa, as chances de soar egoísta ou grosseiro são imensas.

É muito difícil agradar a todos, e a verdade é que a gente nem deveria tentar. Aliás, o mundo seria muito melhor se as pessoas começassem a ser mais honestas consigo mesmas e com os outros – e falar “não” é uma parte importante deste processo. Quantos relacionamentos errados poderiam ter terminado sem nem começar? Quantos empregos ruins não estariam carimbados na sua carteira profissional? Quantas pessoas estariam fora do seu círculo de convivência se você simplesmente tivesse colocado limites nas suas ações?

Falar “não” é colocar as mão no volante e mudar o rumo das coisas, tirando o piloto automático imposto pelos outros e assumindo o destino da sua própria vida. Foi muito difícil para mim entender que o meu objetivo não é alcançar a aceitação da humanidade, mas sim assinar embaixo das minhas ações – sejam elas bem vistas pela sociedade ou não. Depois disso, minha vida ficou mais difícil e, ao mesmo tempo, mais leve.

Perco menos o meu dinheiro me dedicando a projetos que não me oferecem benefícios.
Perco menos o meu tempo cultivando amizades que em nada me agregam.
Perco menos a minha paciência tentando lidar com pessoas que não querem lidar comigo.