Sobre ser de verdade, humano e defeituoso

Sobre ser de verdade, humano e defeituoso

Faz tempo que quero me libertar de amarras, especialmente na internet. Me incomoda a vida perfeita e o retrato seletivo do que posto diariamente. Por isso talvez tenha parado de publicar em todos os lugares – inclusive aqui no blog.

Eu ainda não consigo ser 100% verdadeiro em tudo que eu publico, admito. Seleciono bastante o que vai ou não para as minhas redes. Rola um medo de rejeição, de superexposição, de um monte de coisa ao mesmo tempo. Especialistas já devem estar estudando alguma fobia exatamente como essa que eu estou descrevendo, tenho certeza.

O primeiro lugar que eu comecei a me expressar sem amarras foi no Instagram Stories. Não me pergunte o porquê, simplesmente aconteceu lá. Abri a câmera do celular e comecei a me abrir. Ao mesmo tempo, percebi que muita gente começou a interagir comigo por lá.

O único motivo para isso ter acontecido, na minha cabeça, é o fato de que lá eu sou humano. Conto meus defeitos e receios sem esperar nada em troca. Não tem curtida, não tem comentário, não tem porcaria nenhuma de interação (teoricamente). Lá eu consegui ser eu de verdade pela primeira vez, depois de muito tempo e muitas redes sociais.

Será que é isso que falta na internet? Honestidade nua e crua?

Olho pro meu Facebook e não consigo ter a mesma postura. Vejo as fotos incríveis das pessoas que eu ainda sigo, os projetos, as notícias políticas importantíssimas… Eu e meus probleminhas humanos não cabemos lá. Entro no YouTube e vejo aqueles vídeos ultra-mega-blaster bem editados, com vinhetinha, musiquinha e câmera HD, e não me encaixo lá – Cher sabe o quanto eu tentei me encaixar!

Ser honesto faz um bem danado. Dia desses eu tava deprezinho e cabisbaixo, precisando de umas palavras de incentivo. Eu assumi minha tristeza, contei meu problema e pedi um ombo amigo. E não é que eu recebi, inclusive de pessoas que eu nem imaginava?

Neste dia eu descobri uma nova internet. Será que ela tava lá o tempo todo e eu não tinha percebido? Será que a busca por aprovação pública nos deixou unidamente isolados e ninguém reparou?

Esse texto não vai ter um fim, porque eu não consigo finalizar minha linha de raciocínio. Foi mal ae, galera. Sejam bem vindos a esta nova era de conteúdos reais! 😉