Um Natal Mineiro

Um Natal Mineiro

Eles falam alto, cortam as palavras ao meio e só falam o começo dela, conversam todos ao mesmo tempo. Para mim, um paulistano de família pequena, chega a dar tontura… mas é viciante.

Você começa um papo aqui, termina ali, e no meio do processo já conversou com a família inteira.

Sem perceber, come um monte pão de queijo. Pega a garrafa de café, se serve, e no primeiro gole percebe que está tomando café. Nem sabia que queria mas está ali, se deliciando.

Ser mineiro é gostoso, porque é ao mesmo tempo uma experiência social e deliberadamente prazeirosa. Você papeia e come sem se preocupar com o que está falando ou o quanto está comendo. Tudo isso é recheado de um carinho não declarado, mas espalhado em cada pequena coisa que é feita. Amor de verdade não precisa ser explicitado a cada instante: a gente sabe que está lá.

E por mais que os mineiros falem que não seguem tradições, elas são nitidamente seguidas. Da porta da sala constantemente aberta, interrompida o tempo todo por um “ô de casa”, à familia beliscando coisas na cozinha, principal ponto de encontro da casa. Na verdade a falta de tradição se dá ao fato de não haverem cerimônias para coisas que não as merecem.

É um povo despretensioso e que sabe viver. Dá importância só para o que importa mesmo, e consegue fazer até a tradição mais triste de um paulistano ganhar um sopro de alegria.

Esse foi o meu primeiro Natal em Minas. Ainda bem que ano que vem tem mais… 🙂