Aniversário de 4 anos sem fumar: os mitos e verdades do tabagismo e sobre parar

Aniversário de 4 anos sem fumar: os mitos e verdades do tabagismo e sobre parar

Três anos atrás eu postei aqui no blog um texto com o título “Aniversário de 1 ano sem fumar: os mitos e verdades do tabagismo e sobre parar“, em que eu contava um pouco de como havia sido a minha experiência com o meu tratamento.

Hoje, quatro anos após a fatídica data, pouca coisa mudou na rotina. Os mitos desmascarados lá atrás acabaram perdendo um pouco a importância por se tornarem cotidianos. Nem lembro mais como era meu paladar antes, ou mesmo fôlego. Faz tanto tempo que o meu novo eu é o único eu que eu conheço atualmente.

Mas então, por que escrever sobre isso de novo?

Se por um lado eu mudei e me acostumei com isso, por outro ainda acontecem algumas coisas que vez ou outra ainda colocam o meu antigo vício à prova. Alguns são bastante controláveis, outros nem tanto. Por isso, separei quatro assuntos para conversarmos hoje:

  1. Sonho ou Pesadelo?
    Algumas vezes ainda fumo nos meus sonhos. O ato de fumar no meu inconsciente ainda resiste, e me faz acordar vez ou outra com uma vontade (controlável) de acender um cigarro. Eu me levanto, sigo minha rotina, e me esqueço completamente do sonho já nos primeiros minutos do dia. Mas a vontade reaparece, está ali latende, me esperando tropeçar. É uma sensação estranha, ruim e boa, que pede um pouco de autocontrole.
  2. Taxi!
    Se o sonho é controlável, a vida real não é. E graças às atuais leis antifumo, ambientes fechados já não mais são um problema para mim. Mas existe um lugar chamado “Taxi” que ainda é um grande problema. Não sei se é sina, ou se tem realmente se tornado mais comum, mas constantemente embarco em taxis cheirando a cigarro. Não é nojinho da minha parte não: o cheiro, quando muito intenso, me faz passar mal de verdade. Me provoca dores de cabeça e enjoo.
  3. Estresse Futuro Ainda Não-Existente (vulgo “Medinho”)
    O terceiro ponto de atenção é o nível de estresse. Hoje, quatro anos após o tratamento, estou casado, com emprego estável e que eu adoro, além da conta bancária controladinha. Não tenho do que reclamar… Mas o ser humano sempre espera o pior (né?) e esse “medo” de perder as coisas que eu conquistei me faz pensar. Será que se o meu marido me abandonar eu vou aguentar? Será que se eu perder o emprego vou entrar em depressão? Será que eu voltaria a fumar caso minha vida virasse de pernas pro ar? Sinceramente espero nunca passar por nada disso para saber de verdade qual seria a minha reação.
  4. Amigos
    Esse é o ponto mais difícil: as amizades. Quando a gente fuma, costumamos fazer muitas amizades fumando. Isso faz com que boa parte dos nossos amigos também seja fumante. E quando você para, algumas químicas parecem mudar dentro de você. Aquilo que antes te acalmava e te dava prazer agora te deixa com dor de cabeça e enjoado. Então, muitas vezes, ficar ao lado da fumaça é um martírio. E não existe coisa mais chata do que tentar “converter” as pessoas à força. Falei isso 3 anos atrás, e falo de novo: se você fuma e decidir parar de fumar, faça isso porque você acredita que isso te fará bem, e não porque alguém te falou que fumar é ruim. Fica então aquela sinuca de bico: será que eu peço para eles não fumarem perto de mim, será que eu aguento calado para não ser chato, ou será que eu que estou deslocado e devia procurar novos amigos? Eu escolhi a primeira opção, de pedir para não fumarem por perto e parecer chato. Melhor chato do que sozinho! 😉