Oi, tudo rosa?

Oi, tudo rosa?

O mês de outubro chegou e, com ele, as postagens em redes sociais e iluminações públicas temáticas de empresas e governo. Mas será que este assunto é um mar de rosas?

As mulheres precisam de mais que uma fachada

Sim, o #OutubroRosa chegou. O movimento nasceu nos Estados Unidos, na década de 1990, para estimular a participação da população no controle do câncer de mama. A data é celebrada anualmente com o objetivo de promover a conscientização sobre a doença e compartilhar informações sobre o câncer de mama. Super válido! Mas, aqui no Brasil, muitas vezes apenas a fachada é rosa.

Em muitos lugares do território nacional, mulheres ainda sofrem com a falta de informação e de acesso à saúde. A Lei 11.664/08 estabelece que todas as brasileiras têm direito a realizar a mamografia a partir dos 40 anos. Em vigor desde 2009, a legislação reafirma o que já era determinado pelos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). Existem cerca de 5 mil mamógrafos no Brasil, metade no SUS, mas os aparelhos concentram-se no Sul e no Sudeste, isto é, maior número de pacientes demora mais para diagnosticar e tratar a doença em outras regiões.

O percentual de mulheres na faixa etária de maior risco [50 a 69 anos] que fazem a mamografia pelo SUS não passa de 14% a 34%. É uma cobertura mínima. Para reduzirmos a mortalidade das brasileiras por câncer de mama, teríamos de alcançar, no mínimo, 70%.

Embora a Lei 12.732, de 2012, determine que a paciente tem direito a ser tratada em até dois meses após o diagnóstico, nada mudou, porque as Secretarias Municipais de Saúde não receberam qualquer apoio, verba ou meios para agilizar os registros no Sistema de Informação de Câncer (Siscan) e, principalmente, para oferecer os tratamentos em menor prazo. O tempo médio de espera para uma radioterapia, por exemplo, ainda é de 120 dias.

Quer ajudar de verdade?

Ilumine sim a sua fachada de rosa para espalhar a campanha. Mas não deixe de fazer uma doação à FEMAMA (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama), a associação civil que trouxe a campanha para o Brasil. Sem fins econômicos, ela está presente na maioria dos estados brasileiros por meio de ONGs associadas, atuando na articulação de uma agenda nacional única para influenciar a formulação de políticas públicas de atenção à saúde da mama. O ano todo, não só em Outubro. 😉

É só clicar aqui e fazer sua doação!

 

Fonte dos Dados: CBR, 2014