A mídia fascista não precisa de você!

Após as notícias de espancamento de um membro da equipe técnica da Globo, os atos incendiários a carros da Record, sem contar as vaias e atitudes extremamente agressivas contra repórteres de todas as emissoras, incluindo aqui a TV Gazeta e a Band, chego à conclusão de que o povo não entende o que é a mídia, como funciona e para que ela serve.

Agora que o #GIGANTE ACORDOU, ao invés dele sair correndo transloucado, é preciso aprender a andar e que, quando dá-se um passo, é necessário tomar cuidado onde se pisa. Os processos de mudança são sim necessários, são sim urgentes, mas existe um tempo de planejamento e ação para que as coisas aconteçam. Outra coisa é lembrar que, o que não muda por causa dos políticos, só mudará nas próximas eleições – quando enfim mudaremos novamente os políticos.

UM ESCLARECIMENTO SOBRE A GRANDE MÍDIA

No ar desde 1 de setembro de 1969, o Jornal Nacional já nos meteu em muita confusão, mas também já nos tirou de algumas.
No ar desde 1 de setembro de 1969, o Jornal Nacional já nos meteu em muita confusão, mas também já nos tirou de algumas.

O Jornalismo Investigativo é uma especialização de conteúdo, explorada por poucos programas na TV brasileira. Bons exemplos são “A Liga” (Band) e o “Profissão Repórter” (Globo). Este formato gera pautas “do zero”, indo atrás de personagens, informações, se infiltrando e apurando as coisas sem a intervenção de órgãos públicos.

Os Telejornais Brasileiros fazem um apanhado de várias especializações, mesclando matérias de Política, Cultura, Entretenimento, etc. Estas matérias são reflexos de acontecimentos: reportagens que tentam mostrar e explicar o que aconteceu naquele dia/período.

Mas quem você acha que deve investigar se um transporte está muito caro, ou se dinheiro público está sendo desviado? A mídia ou o ministério público? Pois é: quando o buraco é grande demais, a mídia pode, no máximo, noticiar os detalhes das operações oficiais de investigação.

Por isso, é muito comum ouvir pessoas falando que os jornais não estão noticiando sobre algo, ou que determinada emissora está sendo parcial. Sim, algumas estão mesmo: ou porque a notícia está sendo apurada e não há dados concretos, ou por causa da linha editorial adotada pelo veículo.

Cada um tem uma formação cultural, uma vivência de mundo, uma experiência. Nenhum meio de comunicação, JAMAIS, será tão completo quanto você. Ser parcial faz parte do DNA do jornalismo, você queira ou não.

MÍDIA FASCISTA, FORA DAQUI?!

Podia ser em 2013, mas esta imagem é de uma passeata pelas "Diretas Já" no centro de São Paulo, em 16 de abril de 1984. Foto: Jorge H. Singh.
Podia ser em 2013, mas esta imagem é de uma passeata pelas “Diretas Já” no centro de São Paulo, em 16 de abril de 1984. Foto: Jorge H. Singh.

Sem a grande mídia para noticiar, o que é um grupo de pessoas no meio da rua?

Sem a grande mídia para informar, como as informações vão chegar a todos?

Sem a grande mídia, quem vai apurar as notícias que vocês criam na internet, dia após dia, só porque “é engraçado trollar esse povo burro que só tem internet por causa de inclusão digital e devia voltar pro Orkut“?

Sim meus amigos, sem a grande mídia vocês são uns bostas.

Então antes de partir para agressão e evitar que jornalistas conheçam o movimento, entendam os motivos, conversem com os políticos e façam suas matérias para informar o Brasil e o mundo do que está acontecendo de importante na nossa sociedade, pense em como o seu GIGANTE ficaria triste ao tentar fazer a diferença mas não ter ninguém interessado em ouvi-lo.

Ao invés de irem CONTRA a grande mídia, APOIEM. INFORMEM. PARTICIPEM.
Cobrem ética profissional na hora de apurar, editar e noticiar.
Cobrem o serviço que a sociedade merece.
COBREM.

A tal “mídia fascista” não precisa de você – ELA É VOCÊ!