Como a Mc Melody dominou a arte do falsete

Como a Mc Melody dominou a arte do falsete

Infelizmente ela não domina a arte do falsete, e o nome dela só vai aparecer no título desta matéria.

Diferente de seus pais, meu objetivo não é colocar um holofote na pequena menina, mas sim na situação na qual ela está inserida, e que ela honestamente acredita ser um dom. A história toda é uma grande aberração, e ela não merece ainda mais exposição.

“Procurando e destruindo falsos mcs,
nocivos como os governantes do nosso país”.
(‘Queimando Tudo’, Marcelo D2)

Atualmente tenho lido um livro chamado “Ensaio sobre o Entendimento Humano“, do John Locke, e que tem aberto os meus olhos para muitas coisas ao meu redor. Uma delas é a importância do “costume” para a construção do relacionamento social humano.

Imagine o seguinte: você está vendo o fogo pela primeira vez. Não há ninguém por perto. Você vai lá, coloca a mão no fogo e descobre que aquela luz gera dor ao entrar em contato com a sua pele. No futuro, ao ver uma labareda novamente, você não tentará encostar nela. Pode parecer um pensamento racional, mas na verdade é um costume adquirido através de uma experiência anterior – se fosse racional, você não teria colocado a mão na primeira vez.

Mas o que isso tem a ver com os falsetes?

Explorar a ingenuidade infantil com a nossa necessidade de pisar no outro para se sentir mais alto é, no mínimo, cruel. E o pior: quando ela não é motivo de chacota, é considerada um exemplo por tantos outros que buscam a fama em meio a uma explosão do “eu” como veículo de comunicação na internet.

Mas eu não sou pai, muito menos o dela, então me reservo no direito de não opinar como é feita sua educação. Estaria ela bem assessorada emocionalmente para passar por tudo isso? Não sei.

O que eu sei é que, se a gente se acostumar com a produção de mini-chacotas, perderemos aos poucos o medo de colocar as pessoas em fogueiras na praça pública, por nos esquecermos que tais labaredas machucam nossa existência.

Uma sugestão: ao ver um link com seu nome na internet, não faça como você fez agora.
Simplesmente não clique.

Quando menos audiência você dá ao bizarro, menos ele é produzido.