O dia em que parei de tirar #selfies

O dia em que parei de tirar #selfies

A Copa serviu para nos mostrar muita coisa, mas para mim ela ultrapassou algumas barreiras.

Quem me conhece sabe que eu não tenho nada de atleta ou esportista, muito menos sou ligado ao futebol. Mas, durante a copa entrei na brincadeira e resolvi vestir a camisa do meu país. Sim, comprei minha primeira camiseta de seleção: a brasileira.

Ao chegar em casa, tirei uma selfie, mostrando meu amor à minha nova aquisição. Dois jogos depois o Brasil se despediu dos jogos, a camisa foi para o armário, e eu voltei para a minha rotina.

Algum tempo depois engatei uma daquelas conversas despretensiosas com o meu namorado sobre as tais selfies. Ali eu assumi para alguém, pela primeira vez, que fazia aquilo pela atenção. Fazia porque tinha sim uma autoestima variável, e que nem sempre me sentia bonito. A selfie me trazia elogios (mesmo que na forma de like) e acabava mostrando para mim mesmo que eu era alguém especial.

Meu namorado (Deus, obrigado por botar esse cara na minha vida!) me disse então: “Eu te acho bonito”.

E foi isso, as minhas selfies morreram naquele instante. Claro que ser paquerado na rua aumenta o seu ego e que receber um elogio faz bem pra autoestima. Mas aquele cara, ali na minha frente, era de verdade. E ele me achava bonito. E isso bastava.

Voltei correndo para o Instagram mais tarde naquele dia para ver qual tinha sido a minha última selfie e encontrei a mim mesmo, mostrando minha camiseta da seleção, sorrindo para a câmera. Me lembrei das 30 fotos horríveis que tirei antes dela, dos retoques no filtro, na camiseta guardada no armário, na decisão de divulgar também no Twitter e no Facebook. Fake fake fake fake.

Aos poucos me acostumei com a ausência da selfie, e não sinto falta dela.
Nem do afago que ela me dava na autoestima.

É clichê, mas é a mais pura verdade: o mundo é muito maior e mais bonito lá fora.